ENCANTAMENTO I
Junto com a primeira claridade
Descendo do céu em linha reta
Do outro lado da rua
Pousou uma pomba na árvore
Como se trouxesse o sol dentro dela
E ao abrir as asas
Nasceram luzes
Olhei-a por longo tempo
Tão aberto para o mundo
Tão aberto para a vida
Em um amanhecer tão belo
Que por todos valeria
Não uma pomba qualquer
Era toda feita de esplendor
Luz branca de leite
Saudando tudo que nasce
Olhei-a com ternura
Olhou-me com doçura
Mais do que eu e antes da boca
Minha alma exclamou encantada
É um pássaro da mais pura beleza!
Aproximou-se e parada no ar
Ficou perto do meu rosto igual beija-flor
Como se mulher querendo beijar-me
E eu para ela abri o meu coração
Ela abriu o peito e dentro dele
Brilhava uma pequena espada de luz
Que de estalo cravou-se no meu
E não só o coração trespassou-me
Também as lembranças e os sonhos
Ó dor da morte
Inerte tombei
Dentro da espada de luz acordei
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